UMA CAMPANHA SOBRE VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA
O QUE É
Ponto do marido?
“Ponto do marido” refere-se a um ponto extra, sem necessidade médica, dado após uma episiotomia ou laceração perineal durante o parto.
A episiotomia é um corte realizado por um profissional de saúde na região do períneo, entre a entrada da vagina e o ânus, para ampliar a passagem do bebê em situações específicas. Já a laceração perineal é um rasgo que pode acontecer naturalmente durante a passagem do bebê. Quando há necessidade, tanto o corte quanto a laceração podem receber pontos para reparar o tecido.
É UM
PONTO A MAIS.
O chamado “ponto do marido” não faz parte desse reparo necessário. Trata-se de um ponto a mais feito com a intenção de deixar a vagina mais “apertada”, sob a crença de que isso aumentaria o prazer sexual do parceiro.
Uma intervenção é feita no corpo da mulher pensando em um suposto desejo do marido e não na saúde, no conforto, na recuperação ou no prazer dela. Esse ponto extra pode provocar dor persistente, desconforto, problemas de cicatrização e dor nas relações sexuais. Muitas vezes, é feito sem que a mulher seja informada e sem que possa consentir ou recusar.
É amplamente condenado como uma forma de violência obstétrica.
Violência obstétrica não é só o que fazem.
Também pode estar no que dizem.
E no que deixam de fazer.
Violência obstétrica acontece quando você é desrespeitada, maltratada ou deixada sem o cuidado necessário durante a gravidez, o parto, o pós-parto, a amamentação ou uma situação de abortamento.
Ela pode estar em procedimentos realizados sem necessidade, na recusa em acreditar na sua dor, na falta de informação, em humilhações, ameaças, preconceito, descaso, toques e exames sem explicação e consentimento, ou em cuidados importantes que são negados ou atrasados.
COMO RECONHECER SE
Isso aconteceu com você?
⦁
Isso aconteceu com você?
⦁
Isso aconteceu com você? ⦁ Isso aconteceu com você? ⦁
01
Pressionaram ou julgaram suas decisões?
Por exemplo: tentar convencer você a mudar uma decisão legal, criar dificuldades, atrasar atendimento ou usar crenças pessoais para pressionar você.
0202
Humilharam, ameaçaram ou discriminaram você?
Mandar parar de gritar, chamar sua dor de “frescura”, fazer comentários sobre sua vida sexual ou tratar você de forma diferente por preconceito.
03
Ignoraram sua dor ou deixaram você sem assistência?
Deixar você sozinha quando precisa de ajuda, ignorar pedidos, não avaliar sua dor ou negar alívio sem explicar alternativas.
04
Impediram a presença do acompanhante escolhido por você?
Não permitir, sem justificativa válida, a presença da pessoa escolhida para acompanhar trabalho de parto, parto e pós-parto imediato.
05
Fizeram um procedimento sem explicar, sem sua autorização ou sem necessidade?
Exames, medicamentos, indução, rompimento da bolsa, episiotomia, cesariana ou qualquer outro procedimento sem explicação clara, consentimento ou indicação médica.
DESIGUALDADE NO CUIDADO
Algumas pessoas são mais atingidas que outras.
Qualquer mulher pode sofrer violência obstétrica, mas ela não atinge todas da mesma maneira. Mulheres negras, indígenas, adolescentes, mulheres com menos renda ou escolaridade, mulheres com deficiência, migrantes e mulheres que vivem longe dos grandes centros enfrentam mais dificuldades para conseguir atendimento e serem ouvidas.
Homens trans e pessoas não binárias que engravidam também podem sofrer violência e enfrentar preconceito durante o atendimento.
SEUS DIREITOS NÃO SÃO FAVORES
Você tem direitos.
-
Ser tratada com respeito, sem humilhação, ameaças ou preconceito.
-
Participar das decisões sobre o seu corpo.
-
Saber por que um exame ou procedimento é necessário e dar ou não sua autorização.
-
Não ser tocada ou examinada sem consentimento.
-
Ter um acompanhante de sua escolha e, se desejar, a presença de uma doula.
-
Receber o cuidado adequado.
-
Inclusive em uma situação de abortamento.
O QUE FAZER E ONDE BUSCAR AJUDA
Precisa de ajuda?
É uma emergência?
Dor forte, sangramento, febre, desmaio ou outro problema de saúde: procure uma emergência.
192
SAMU
Quer reclamar do atendimento?
Procure a ouvidoria do hospital ou da unidade de saúde. Para atendimentos realizados no SUS:
136
DISQUE SAÚDE
Quer denunciar uma violação?
Orientação ou denúncia de violência contra a mulher e violações de direitos humanos.
180 ou 100
Precisa de orientação jurídica?
Procure a Defensoria Pública ou o Ministério Público da sua cidade. Eles podem orientar sobre direitos e medidas possíveis.
Converse com alguém em quem confia e, se puder, procure atendimento psicológico. Anote o que aconteceu, a data, o local e os nomes dos profissionais envolvidos. Guarde exames, receitas, mensagens e outros documentos. Peça uma cópia completa do seu prontuário.
PARA SABER MAIS
Entenda mais.
SOBRE A CAMPANHA
O Ponto do Marido
Esta campanha de mídia exterior apresenta uma obra de arte pública comissionada à artista contemporânea alemã Franziska Pierwoss. A ação integra Eu não serei o ovo que você quebra: sobre nascimento, o corpo e as evidências que ele carrega, edição do Evidence, festival internacional e plataforma do Center for Human Rights and the Arts at Bard, em associação com o Fisher Center LAB.
No Brasil, o festival é realizado pela TAP – Temporary Art Platform, sob direção artística de Amanda Abi Khalil, em parceria com a Comadre e a empresa de mídia AlterLabs.
Franziska Pierwoss
trabalha como artista por meio da performance e da instalação. Desenvolve projetos individuais e colaborativos em torno de sistemas alimentares e da gestão de resíduos, tomados tanto como símbolos políticos quanto como materiais passíveis de instrumentalização nas esferas social e financeira. Como gestora de transformação, ministra oficinas sobre a implementação da sustentabilidade ecológica. Estudou na Academia de Belas Artes de Leipzig e na Universidade Libanesa, em Beirute. Suas performances já foram apresentadas no Spreepark Art Space, no Literaturforum Brecht-Haus e na nGbK, entre outros. Seu trabalho já foi exibido com a T.A.P., Beirute; a Extra City Kunsthal, Antuérpia; o Jameel Arts Centre, Dubai; e a Urbane Künste Ruhr.
Desde 2014, Franziska Pierwoss vem realizando, em colaboração com Sandra Teitge, performances-jantar para as quais, a partir de uma pesquisa extensa, reúnem especialistas de diferentes campos — como gestão de resíduos ou política local — e o público, para uma conversa aprofundada ao longo do jantar. Juntas, apresentaram diferentes formatos no MUAC, Cidade do México, durante a 13ª Bienal de Sharjah, em Beirute, no Líbano, e no Fast Forward Festival, em Atenas. Com Siska, iniciou o KINO Projekt, um cinema temporário em espaço público que exibe filmes amadores em Super 8 e obras em vídeo de artistas em cidades como Beirute, Nápoles, Zurique e Minneapolis.
Marilanda Lima
é uma mulher negra, nascida em Parada de Lucas, no subúrbio do Rio de Janeiro, em meados do século passado. Cresceu em uma realidade marcada pela violência doméstica e pela violência contra a mulher, experiências que despertaram, desde a infância, sua indignação diante dessas questões. É mãe de Mariana.
Graduada em Enfermagem em 1975, é especialista e mestre em Enfermagem Obstétrica e Obstetrícia Social desde 1982. Foi professora assistente da Faculdade de Enfermagem da UERJ a partir de 1977, onde atuou até sua aposentadoria. Participou da formação de enfermeiras obstétricas no município do Rio de Janeiro e da seleção das equipes da primeira e única Casa de Parto pública do estado, a Casa de Parto David Capistrano Filho, em Realengo.
Sua trajetória também está ligada ao processo de redemocratização do Brasil e ao movimento feminista pela saúde sexual e reprodutiva. Em 1992, fundou a ABENFO — Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras — com o propósito de fortalecer um modelo humanizado de assistência obstétrica e de enfrentamento à violência obstétrica no país.
Atualmente, mantém seu ativismo contra a violência obstétrica e acompanha partos domiciliares no Rio de Janeiro e em outros municípios. Em 2023, recebeu da UNIRIO o título de Doutora Honoris Causa.
Artista: Franziska Pierwoss
Direção artística: Amanda Abi Khalil
Acompanhamento curatorial: Gabriela Davies e Maíra Marques (Instituto Comadre)
Consultoria de conteúdo sobre violência obstétrica: Marilanda Lima
Design Gráfico Campanha: Cometa Impressos
Design Site: GD Ofício
Realização: TAP – Temporary Art Platform
Parceria: Instituto Comadre e AlterLabs
Apoio: Goethe-Institut e Embaixada da França no Brasil, Juntes na Cultura